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terça-feira, 21 de junho de 2011

poema noturno

Lua no quarto, sol na varanda
O tio da quitanda já sabe
Hoje eu me apaixonei...

O dia acaba se o sol levanta
A faxineira já sabe
Não vou mais me guardar...

Vento soturno na noite canta
O guarda noturno já sabe
Hoje eu me apaixonei...

O dia claro de sono encanta
O travesseiro já sabe
Hoje o medo passou...

Porque te viu
Sorrindo
De peito aberto pra o que houver de estranho em mim...

domingo, 26 de dezembro de 2010

just let it go...

Sempre tive muito orgulho (e também muito apego) por todas as coisa que lutei para conseguir. Acreditava que esforços grandes, uma vez realizados, não poderiam ser ignorados e deixados pra trás, por terem o valor do tempo, da dor e do suor ali deixados.  
O ano de 2010 foi foi o tempo em que aprendi que estava completamente enganada. E se esse engano perdurasse, só me traria sofrimento.
--*--*--*--
No campo profissional, realizei esforços imensos para ingressar num curso de pós-graduação. Grupos de estudo, trabalhos publicados, congressos... Tanta pesquisa realizada seriamente e, em verdade, por conta própria, tendo apenas a ajuda de uma colega/amiga, já que o orientador era completamente omisso e, numa atitude máxima de descaso, deixou meu projeto ser feito por outro aluno.
No campo afetivo, um casamento, uma vida quase perfeita, energia e dinheiro dispensados ummm amor incerto... E minhas cobranças: muitas, imensas, cansativas! Eu sempre cobrava muito, mas nada pra mim: "faça sua operação, encontre mais seus amigos, retome seus treinos, dê mais atenção à sua mãe, trate de encontrar mais um emprego, tente poupar seu dinheiro". No que minha chatisse resultou? Mares de mentiras tão mal repetidas que a verdade nem sequer existia mais. Lágrimas, revoltas, traições, humilhações... E mentiras!
Nos dois casos, uma única idéia se fixava na minha mente: "eu lutei muito por isso, tenho que fazer dar certo".
--*--*--*--
Não, eu não tinha que fazer nada dar certo! Eu não PODIA fazer nada dar certo porque não dependia de mim. Não há vitima nenhuma aqui! E me centrando no que eu realmente podia fazer, a conclusão era única: tudo isso tinha que terminar! 
O começo foi desistir da pós, o que aconteceu em julho... Em agosto me foi oferecido um cargo de chefia nos meus dois empregos. Minha auto estima se recobrou e meus problemas financeiros acabaram.
Decidi estudar teatro, sonho da minha adolescência que ficou postergado por muito tempo, em nome do que parecia mais "sério". Nesse curso, conheci novas pessoas que me encheram de vitalidade! Eu tinha mais ânimo, mais vontade de me divertir.
E subitamente, os encontros com meu namorado se tornaram penas um momento maçante. Conversando com minha mãe, em outubro, entendi: foda-se o esforço que fiz pra cultivar todo um campo se os frutos já nascem podres. Nada se aproveita deles! Limpe a terra e jogue tudo fora!
E limpei! Foi um fim discreto, sem lágrimas, sem culpa. Algum rancor ficava, mais mentiras que vieram depois, mas nada demais, era esperado, logo passaria...
--*--*--*--
E depois disso, sementes azuis como o céu da Califórnia se deitaram nos meus seios. Não sei o que vem depois, ele não sabe também. Mas na gentileza dessa dúvida que não me atormenta o coração e senti que "I love you so" me ferve a alma com muito mais beleza que todos os "te amo" que já ouvi na vida.
--*--*--*--
Ao cabo, 2010 foi o ano mais incrivel da minha vida... Até agora.

sábado, 4 de dezembro de 2010

unidade

Minh’alma estava naquele instante
Fora de mim longe muito longe

Chegaste
E desde logo foi Verão
O Verão com as suas palmas
os seus mormaços
os seus ventos de sôfrega mocidade
Debalde os teus afagos insinuavam quebranto e molície
O instinto de penetração já despertado
Era como uma seta de fogo

Foi então que min’alma veio vindo
Veio vindo de muito longe
Veio vindo
Para de súbito entrar-me violenta e sacudir-me todo
No momento fugaz da
unidade.

Manuel Bandeira

terça-feira, 22 de setembro de 2009

D. Rice

And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

And so it is
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it is
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?

I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind...
My mind...my mind...
Til find somebody new


quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Amores estranhos

Ela gosta de mim, é claro que gosta. Ela me ama, na verdade. E eu a ela.

O que eu não consigo entender é o motivo pelo qual ela sempre me agride, mesmo que indiretamente. Por que ela se intromete na minha vida? Por que ela fala coisa em tom tão ríspido, tão especulativo?

Será que ela não entende que eu realmente não quero competir com ela, mas que nos amemos? Não dá pra perceber que o que eu tenho com ela, não vou ter com mais ninguém?

Espero que ela perceba qualquer coisa e que mude de atitude... Por uma deficiência psicológica minha, não vou ter paciência para essa DR com ela; se as coisas perdurarem, vai acontecer de eu desaparecer lentamente da vida dela, por pura questão de auto-preservação.