quarta-feira, 9 de novembro de 2011
lilia no país das maravilhas
terça-feira, 12 de julho de 2011
essa coisa de modelar...
Foram alguns fatos casados que me levaram a me agenciar. Começou comigo num começo de depressão após uma série de mudanças radicais na minha vida, todas acontecendo concomitantemente (mudando de trabalho, trocando o dia pela noite, mudando de casa, terminando um namoro, abandonando um trabalho voluntário). Toda essa confusão, tive o desprazer de atravessar praticamente sozinha. Contei apenas com o carinho de pessoas mais íntimas, um pouco por preservacionismo, um pouco porque meus amigos queridos estavam em ocupações monumentais. Pra piorar, sempre fui o tipo de mulher para quem um namoro estável tem o funcionamento de uma âncora: é o que segura minha imensa embarcação quando a correria por todos os mares cessa.
Enfim, todo esse blablabá é pra dizer que meu nível de stress estava insuportável, minando minha alegria, minha autoestima e minha paciência. Bem nessa época (que não remonta 2 meses inteiros), entrou em contato comigo uma produtora de modas. Ela achou meu perfil interessante, disse que eu tinha estilo marcado, me pediu pra ir à agência dela, pra fazer entrevista. Fui, fiz a entrevista e foi quando eu me liguei que a partir dali, poderia pegar uns freelas em figuração (um puta amigo meu do teatro tá se dando bem com isso). Acabei decidindo me agenciar mesmo e fazer as fotos...
Mas o que foi mais bacana nisso tudo foi ouvir pessoas profissionais - fotógrafo, agente, professora do curso - falando sobre meu jeito, meu estilo... O efeito psicológico é ótimo: voltei a me sentir bonita e sexy.Dizer que isso foi o remédio pras minhas neuras é uma simplificação esvaziadora bem besta. O que eu precisava, obviamente, estava em mim o tempo todo. Mas foi como se eu me machucasse feio depois de um tombo: precisaria esperar o corpo agir sozinho pra porrada parar de doer, mas uma massagenzinha com gelol vai muito bem, né?
terça-feira, 28 de junho de 2011
♫ Change the world
Pull one down for you
Shine it on my heart
So you could see the truth
That this love I have inside
Is everything it seems
But for now I find
It's only in my dreams
That I can
Change the world
I would be the sunlight in your universe
You would think my love was really something good
Baby, if i could change the world
If I could be king, even for a day
I'd take you as my queen
I'd have it no other way
And our love would rule
this kingdom we have made
Til' then i'll be a fool
Wishing for the day...
I could change the world,
I would be the sunlight in your universe
You would think my love was really something good
Baby, if I could change the world
quarta-feira, 16 de março de 2011
sobre mentiras que viram verdades
Coisas bem parecidas aconteceram comigo.
Sou uma pessoa dotada de um desejo imenso de fazer porra nenhuma. Não digo que não gosto de fazer nada: existe muitas coisas que gosto de fazer, como ler, cozinhar, ver filmes, ouvir música, beber, transar, conversar, escrever, dançar... Mas não fazer NADA sempre me pareceu mais agradável do que qualquer uma dessas coisas. Em poucas palavras, sou uma preguiçosa nata! Esse é meu pecado capital, a PREGUIÇA.
Mas um dia tive de estudar e logo em seguida, trabalhar. E já que tinha de fazer, fiz as duas coisas da melhor maneira possível. Conclui a faculdade com ótimas notas, consegui um cargo bom no trabalho. Mas trabalhos são assim: eles só aumentam, você nunca vai ficar mais “tranqüilo” do que estava – e isso eu não sabia. Mas aconteceu. Continuei trabalhando pesado, consegui outro emprego e, de professora a coordenadora, passei rapidinho. Os estudos terminaram, mas me enfiei em um curso de artes dramáticas de 4 anos... Acho que fingi ser uma trabalhadora por tanto tempo que acabei me tornando uma.
Foi assim com algumas outras coisas também: fingi que não tinha medo de nada; fingi que não gostava de pessoas fracas e de caráter manipulador; fingi que sabia perdoar, fingi saber o que era melhor pra mim. Foi tudo tão bem fingido e por tanto tempo que agora posso enfrentar qualquer situação, posso evitar qualquer pessoa que não me seja boa, posso ajudar todo mundo que me fodeu, posso ser extremamente feliz com as coisas que consegui. Minha analista dizia que eu tinha capacidade grande de pensar sobre todas as coisas e de realizar minhas conclusões. Alguns filósofos diriam que eu corrijo afetos com atos. Não sei, não sei. O que sei é que quase não preciso mais das mentiras que criei pra me tornar quem eu queria. Estou bem, meus picos de auto-estima andam cada vez mais freqüentes e tenho me aborrecido quase nada com coisas pequenas. Creio que encontrei meu caminho.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
2ª feira
A parte boa é que no busão, vim toda agarradinha com o meu anjinho... Coisa maravilhosa...
* * *
Falando em busão, eu acho simplesmente ridículo que a linha Jd. das Palmas/H. Clínicas só conte com micro ônibus. O desgraçadinho sempre vem lotadaço, babando de gente por tudo que é lado e a porra da passagem tá 3 contos... Prefeitura: FAIL!!!
* * *
O finde foi legal... Não rolou balada nenhuma, eu tava precisando descansar muito, tinha tido uma semana muito tensa, com episódios de insônia e tudo. Sexta rolou o grupal na pizzaria, sabadão fiquei na casa do namo, dando beijo e dormindo até às 5 da tarde, quando então fomos pra minha casa ver filme... Saímos pra o cinema (pra ver Tron, filminho nota 7, 3D nota 4) às 11 da noite. A chuva propiciou muito o “não vou fazer porra nenhuma”
Acordamos no já pra almoçar em um restaurante vegetariano. Depois, Livraria da Vila, Ibirapuera, botecada na Frei Caneca... Foi bem legal, aproveitamos bem os momentos de sol, porque quando fomos de volta pro Morumbi já chovia cântaros de novo. Daí, arrumar a casa, jantarzinho...
* * *
O engraçado no boteco é que tinha uma menininha emo que ficou toda apaixonada pelo meu namo. Ela tava com a câmera na mão, olhando pra ele e comentando alguma coisa com os amigos. Ele perguntou se ela queria que ele batesse foto deles e ela “Não, eu queria tirar uma foto com você...” Ela foi e quando percebeu, ela já tinha tirado uma fotos dele. Quando ele disse que tinha namorada e era eu, ela ficou toda sem jeito. “Ai, desculpa! Você tá muito brava?”. Tava nada, puta eu ficaria se ela dissesse que ele é ridículo. Mas ele é lido mesmo, eu sei como é... Daí, ele: “No Brasil as pessoas me acham muito mais bonito que nos EUA”. Evidente, não...
* * *
A chefe mor chegou meio que dando carcadinha: “abre a sala que já são 8:05”. Ih, tia, já tá aberta desde às 7:30, a porta tá encostada por causa do ar... Hehehe!
* * *
Tomara que 4 da tarde chegue logo, porque essa rinite da porra não tá me deixando na melhor das disposições...
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
a paz
Feliz ano novo a todos!
Feliz ano novo pra mim...
como se o vento de um tufão
A paz fez um mar da revolução
Invadir meu destino...
fez nascer o Japão da paz
...
Eu vim ...
onde a estrada chegou ao fim,
onde o fim da tarde é lilás,
onde o mar arrebenta em mim
o lamento de tantos "ais"...
domingo, 26 de dezembro de 2010
just let it go...
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
miss you
I've been sleeping all alone
Lord I miss you
I've been hanging on the phone
I've been sleeping all alone
I want to kiss you
Well, I've been haunted in my sleep
You've been starring in my dreams
Lord I miss you
I've been waiting in the hall
Been waiting on your call
When the phone rings
It's just some friends of mine that say,
"Hey, what's the matter man?
We're gonna come around at twelve
With some Puerto Rican girls that are just dyin' to meet you.
We're gonna bring a case of wine
Hey, let's go mess and fool around
You know, like we used to"
I've been walking in Central Park
Singing after dark
People think I'm crazy
I've been stumbling on my feet
Shuffling through the street
Asking people, "What's the matter with you boy?"
Sometimes I want to say to myself
Sometimes I say
I won't miss you child
It's just you and no one else
Lord I won't miss you child
You've been blotting out my mind
Fooling on my time
No, I won't miss you, baby, yeah
Lord, I miss you child
Lord, I miss you child
Lord, I miss you child
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
what more in the name of love?
Às vezes ouço alguém dizer “quem ama de verdade não faz uma coisa dessas. É nada, faz sim...
O amor não dignifica as pessoas a ponteo de elas vencerem todos os seus medos, os seus traumas, as suas manias... O amor é só amor e se ele não vem com um desejo de bem agir, é um amor que não muda nada mesmo, mas ainda é amor.
Por amor, a gente às vezes suporta o que não pode e tenta fazer com que a pessoa mude. Mas nem tudo é válido por amor e assim, a gente faz o que não deve. Demorei muito pra entender: as pessoas não mudam por amor; por amor, elas apenas amam, nada mais que isso. Em discurso, parece perfeito. Mas a vida não é apenas amor.
O Demian, por conta de um curso que ele fez, disse uma coisa que estou incorporando lentamente: canalize sua energia para planos em que você pode agir. O outro não está em seu poder, então não tente mudar o outro.
É mais difícil do que parece. Entretanto, de uma certa maneira é algo que eu acho que sempre esteve em mim de forma latente. Eu deixei todos os relacionamentos amorosos da minha vida. Tentei tudo o que pude, muitas vezes o que nem pude, e depois de ver esgotadas as possibilidades, parti. E sempre me ficou uma sensação de energia e tempo gastos à toa.
Hoje estou entendendo as coisas de uma nova maneira: energia e tempo são ótimas coisas a se sacrificar em nome do amor, mesmo sabendo que amor não é a base de tudo. E ter amado justifica tudo. Se foi amor por quem não merecia é coisa que já não entra mais em questão: o outro é sempre O OUTRO, alguém sobre quem não tenho influência de fato, alguém sobre quem não posso exercer poder algum.
Eu digo te-amo com muita facilidade porque é verdade: amar é fácil e espero amar todas as pessoas que passarem no meu caminho. Eu quero, mas devo compreender que há quem não queira ser amado por mim... ou por quem mais for...
sexta-feira, 18 de junho de 2010
terça-feira, 15 de junho de 2010
segunda-feira, 14 de junho de 2010
... eu estive pensando...
Aceitem, queridos, é de coração!
sábado, 12 de junho de 2010
dia dos namorados - noite dos amantes
With you I'm not a little girl, with you I'm not a manWhen all the hurt inside of me comes out, you understand
You see that I'm ferocious, you see that I am weak
You see that I am silly, and pretentious and a freak
But I don't feel too strange for you
Don't know exactly what you do
I think when love is pure you try to understand the reasons why
And I prefer this mystery it cancels out my misery
And gives me hope that there could be
A person that loves me
Rescue me... it's hard to believe
With you I'm not a fascist, can't play you like a toy
And when I need to dominate, you're not my little boy
You see that I am hungry for a life of understanding
And you forgive my angry, little heart, when she's demanding
You bring me to my knees while I'm scratching out the eyes
Of a world I want to conquer, and deliver, and despise
And right while I am kneeling there I suddenly begin to care
And understand that there could be
A person that loves me...
It's hard to believe life can be so demanding
I'm sending out an S.O.S.
Stop me from drowning baby I'll do the rest
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
A vida é boa - 3
... e daí? Daí que desistiu de sair naquela noite. Pegou o telefone e inventou a pior desculpa que conseguiu (seguia uma filosofia própria que dizia que, se tiver de escolher um motivo pra deixar de fazer uma coisa, escolheria sempre o mais fútil). Do outro lado da linha, pensava, ela devia ter queimado de raiva, apesar de dizer “tudo bem”. O motivo real da desistência sua educação (sempre amalgamada à sua falta de sinceridade) não lhe permitiria dizer. Mas daqui de cima se vê perfeitamente o que houve: estava muito farto de bancar o personagem coadjuvante de uma novelinha de mau gosto.
Lembra-se que havia gostado dela logo que a conheceu. Gostou pelo motivo mais obvio: ela era bonitinha. Daí, aquela coisa: chamar pra sair uma vez, duas... Ela parecia gostar da abordagem, sorria, insinuava coisas... Enfim, depois de dois meses de “essa semana tá meio corrida, fica pra próxima”, ela finalmente aceitou o convite: cinema no meio da tarde. Tudo muito tranqüilo, que ele não era homem de avançar em mulher nenhuma – preferia se preservar sempre. Ela era cada vez mais atenciosa, receptiva... E chama pra uma pequena reunião em casa. Nossa, que delícia!, ela foi atender com um vestido fantástico e... ups! A sala estava cheia de homem! Mas que era aquilo, caralho?! Ah, é que eu só tenho amigo homem... “Mulher é difícil de lidar, sei lá... Não confio”. Um saco! A noite toda aquele papinho brega sobre sustentabilidade, um blábláblá sobre o governo do Chávez, sobre soja transgênica: uma colcha de retalhos de lugares comuns! Todas as expectativas da noite se frustraram e, dois ou três dias depois, soube que não eram apenas suas as expectativas. Naquela roda, outros três caras era amiguinhos apaixonados por ela, dois eram ex-namorados e dois, ex-rolinhos... Ninguém pegou ninguém. Tsc-tsc-tsc! O que será que ela estava pensando quando arquitetou uma reunião daquelas? A resposta era simples: estava evidentemente acreditando que a vida era um novelão da rede globo. Não bastava ter amigos, rir, se divertir e ir dormir... Não bastava conhecer pessoas, dizer NÃO quando fosse o caso ou SIM à queima roupa. Precisava de emoção, de suspense, de toda uma redezinha de intrigas... Precisava causar comoção, abalar estruturas... Ora, mas que coisa patética, não! Achava o que? Que na hora daquele encontro imenso de homens, em que ela era o pivô de todo e qualquer assunto, estava tocando uma musiquinha de tensão no fundo? Que tinha um mar de expectadores? Não, a vida não tinha trilhazinha sonora e ninguém choraria lágrimas de sangue por aquele episódio lamentável. Não eram personagens, apenas homens, bastante decepcionados com aquele comportamento umbigocêntrico. Jogo de sedução pode ser interessante, mas ali não havia mais criança... E era por isso que não teve pudor em desmarcar o encontro da noite, sob pretexto de levar a avó na aula de jiu-jitsu.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
A vida é boa - 2
“O que foi que você disse? Repete pra mim, eu preciso saber!”... Mas nada, nada além da própria voz reverberando, batendo nas paredes vazias e voltando em direção contrária. Não havia ninguém, então nada havia sido dito... Obvio! Mas já era a quarta vez naquela noite em que ouvia palavras entrecortadas que juraria serem reais. Delírios... tão vívidos! Suava frio, soluçava... Dormia brevemente, acordava com a sensação da própria baba escorrendo pelo queixo. Mas que inferno! Fazia calor, suava, não tinha febre, mas sentia frio... A brisinha maldita entrava pela fresta da janela, passava pelo cantinho do cobertor e corria coluna abaixo, causando calafrios... Os cheiros do ambiente, cheirinho de pão recém assado, de comida da vizinha, de óleo diesel, eles davam muito enjôo... Tantos odores... E a voz dele sempre dizendo alguma coisa... Putaquepariu!, mas não era possível que estivesse delirando... Ele aparecia, dizia umas coisas incompreensíveis, fazendo cara de tsc-tsc-tsc, depois sumia. E as ondas de frio, depois, voltavam. Se havia inferno, era isso: o limiar entre o pesadelo e a realidade. Não saía da cama. Tentou uma vez, mas quando pôs o pé no chão, a cabeça latejou e a voz voltou a gritar: “você volta e fica bem quietinho no seu canto, que eu não te mandei levantar”. Caralho, que porra seria aquela? Nunca tinha passado tão mal, nunca tinha tido nada parecido. Queria naquele momento estar num corpo que não fosse o seu. Queria uma alma que não fosse a sua. Queria não ser. Nem a sorte de morrer lhe acudia, meudeus! Nada, não tinha expediente de que se pudesse valer: ia curtir as carnes no caldeirão maldito da culpa e do desespero. Nem rezando: se havia deus, devia ser bem o que destruiu Sodoma - só isso justificaria todo aquele mal estar. Mas... não, não havia deus nenhum, não havia solução mortal, não havia cura nem nada: tinha de conversar com ele, com ele que não atendia o telefone, que não respondia o email, que não queria dar sinal nenhum de existência. Como faria? – Voltar no tempo seria uma idéia interessante. “Rá! Como você é engraçado!” Outra vez sem resposta, salvo pela repetição da frase. Fechou os arrasados olhos buscando dormir. No interior das pálpebras se desenhavam manchas de graxa que se tornavam desenhos... Primeiro um carro, depois uma rodovia, depois um barranco que virou penhasco... Depois o carro saindo da rodovia e despencando do barranco-penhasco. Uma explosão enorme... Uma terrível onda de frio... As imagens então se embaralhavam, um grito abafado e pronto!, os olhos se estatelavam... Não tinha o que fazer... Não tinha nada... nada mais o que fazer... Restava apenas esperar passar, era a mesma sensação de esperar pelo messias que não vai chegar.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
a vida é boa - 1
... mas o problema maior estava um tanto distante das formulações que vinha fazendo até então. Meses depois é que ele compreendeu que tudo quanto acreditava sobre o que havia vivido não passava de ledo (muito ledo) engano da alma. Teria uma compreensão completa e bem tardia, dessas que põem a perder mais do que se tem. E nunca mais teria um risinho fácil novamente. Mas ele agora não tem nem idéia disso: por enquanto ainda não se passaram os meses, por enquanto ele ainda leva a alma leda. Leda sim, muito leda.
Ele agora está sentado na janela, tecendo elevadas reflexões entre anéis de fumaça e vapores alcoólicos. Está bêbado – antes de vaidade que de gin-tônica – e perde os olhos no horizonte gris e violáceo, em que edificações se estendem ao infinito. Pensa que pôde conquistar aquela imensa e feroz cidade com menos esforço do que imaginou um dia ser necessário. Aliás, como é de impressionar o quanto em São Paulo as pessoas podem ser medíocres! E é onde está o dinheiro, veja bem... Todinho ele em São Paulo, a terra das pessoas mais arrogantemente tontas que já conheceu. Mas acha agora que o dinheiro, na realidade, gosta mesmo de ser feito por mãos de idiotas e premia quem o faz com muita generosidade. Os melhores, os caras bons mesmo, estavam sempre cheios de trabalho e com nenhum dinheiro. Não, ele não!, ele vai ganhar dinheiro nem que seja à base de porrada! Já conseguiu o emprego que queria, faltava agora um salário digno de si – as pessoas não entendem isso: o salário deve ser digno de um homem e não o contrário. Mas que se foda, isso ainda vai mudar... Não a opinião, mas a situação. Vai fazer por onde conseguir um salário justo sim e vai comprar um apartamento, que com essa coisa de pagar aluguel ele não se acostumava. Talvez ela ajude com isso, está morando naquela casinha estúpida com aquela bicha chata; se ele comprar um apartamento, ela vai morar com ele e paga o condomínio, em vez de gastar com o aluguel daquele lugar. A proposta seria irrecusável... E seria bom morar com ela, daria pra trabalhar enquanto ela se ocupasse com os livros, sabe lá... Ela podia era largar mão de estudar teatro e arranjar alguma coisa que renda! Teimosa, teimosa pra caralho, vai se foder e não vai aprender. Essa coisa de pagar de descoladinha não tem nada a ver com viver de verdade... Essa mulherada paulistana tem um jeito de ser muito independente, mas a verdade é que toda mulher quer um cara que tome conta dela direitinho, que seja forte, que diga como as coisas são... Todas querem se casar, cedo ou tarde, e ela é mulher como qualquer outra.
É, uma coisa ou outra precisa se ajeitar, mas a vida é boa ao fim das contas, a vida é muito boa sim. Olhando bem, ele tem 29 anos, não é um homem sem trabalho, não é um homem sem mulher, está no auge da forma física... Pois é, está se dando bem em São Paulo sim senhor! Dá saudade de mar e sol e céu azul, de passar por aí e dar bom-dia a toda gente, de ter amigos – em São Paulo ninguém é amigo de ninguém! Mas já está ganhando a cidade, já está aprendendo a jogar e não é o tipo de cara que joga pra perder. A vida é boa sim... A vida... Mas caralho! Que porra é essa?
Essa "porra" é uma ventania úmida e fria vinda de repente, uma nuvem plúmbea se avultando no tal horizonte gris e violáceo – sinal de que a terra da garoa está de mau humor. Daqui a pouco vai chover. E vai ser uma tempestade quase bíblica. Daqui a pouco o céu vai vir abaixo. Sabe lá o que vai acontecer depois.
Mas deixa chover! Ele agora abre um risinho fácil: se a Marginal inundar, não tem problema, ele não vai mais sair de casa hoje...






